
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou, na tarde deste domingo (13), uma reunião emergencial com ministros no Palácio da Alvorada para discutir a resposta do governo brasileiro à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para o país.
O encontro teve como pauta principal a finalização do decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso em abril, que autoriza o Brasil a adotar medidas contra práticas comerciais unilaterais de outras nações. O texto deve ser publicado oficialmente na terça-feira (15).
Participaram da reunião o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro; a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha; e o líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA).
Mais cedo, Alckmin havia confirmado que o governo deve editar o decreto até terça-feira, reforçando que a medida é uma resposta direta à nova política comercial dos Estados Unidos.
Outro tema debatido no encontro foi a criação de um comitê de acompanhamento da crise comercial com os EUA, com participação ativa do setor empresarial. A formação do grupo deve ser oficializada nesta segunda-feira (14). “Vamos criar um comitê, com a presença de empresários, para acompanhar diariamente a situação e repensar a política comercial com os Estados Unidos”, afirmou Lula em entrevista recente à TV Record.
Apesar da resposta firme, o governo brasileiro não descarta o caminho da diplomacia e seguirá tentando avançar nas negociações. Lula, no entanto, foi enfático ao defender uma postura soberana:
“Depois de esgotadas as negociações, o Brasil vai aplicar a Lei da Reciprocidade. Espero que os empresários estejam do lado do Brasil. Se alguém achar que temos que ceder a tudo o que um presidente estrangeiro quer, sinceramente, esse cidadão não tem orgulho de ser brasileiro”, disse o presidente em entrevista à TV Globo, no último dia 10.
Lula também sinalizou que, se necessário, o Brasil levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Não tomarei decisão no calor do momento. Mas, se não houver solução, vamos aplicar a reciprocidade a partir de 1º de agosto”, completou.
Contexto da crise
A crise diplomática foi desencadeada na última quarta-feira (9), quando Trump enviou uma carta formal ao presidente Lula, comunicando a aplicação de uma sobretaxa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA, a partir de 1º de agosto.
Na mensagem, o presidente norte-americano fez exigências, ameaçou retaliações caso o Brasil respondesse e, em tom político, acusou o governo brasileiro de perseguir Jair Bolsonaro — a quem chamou de vítima de uma "caça às bruxas". Trump também atacou o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões contra plataformas digitais americanas, como Rumble e X, que descumpriram ordens judiciais no Brasil.
Horas depois, Lula respondeu publicamente, garantindo que o Brasil usará os instrumentos legais disponíveis para proteger sua economia e soberania. A Lei da Reciprocidade Econômica será o principal instrumento da reação brasileira.

Comentários
Envie seu comentário