
Foto: Vinícius Sales/Gazeta do Povo
Milhares de manifestantes se reuniram em Brasília nesta quarta-feira (7) para participar da “Caminhada Pacífica pela Anistia Humanitária”, evento que contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e de diversos parlamentares da oposição. O objetivo da mobilização é pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A manifestação começou na Torre de TV, no Eixo Monumental, e seguiu até a Esplanada dos Ministérios com um carro de som liderando o cortejo. Ao longo do percurso, Bolsonaro, parlamentares e apoiadores discursaram defendendo a aprovação da anistia.
Mesmo após uma cirurgia intestinal recente, Bolsonaro decidiu participar do ato. Em fala breve, o ex-presidente afirmou que a decisão sobre a anistia cabe exclusivamente ao Congresso Nacional. “Ninguém esperava essa multidão no meio da semana. A anistia é um ato político do Parlamento. O Parlamento vota, e ninguém tem que se meter”, disse.
Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e parlamentares como Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO), Marcos Pontes (PL-SP), Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) também discursaram, pedindo justiça e citando casos de mulheres presas por participação nos atos de 8 de janeiro, como Débora Rodrigues e Vildete, de 74 anos, em tratamento contra o câncer.
Michelle lembrou decisão anterior do ministro do STF, Gilmar Mendes, que considerou preocupante a prisão de mulheres com filhos pequenos. Ela e Malafaia também agradeceram ao ministro Luiz Fux, que votou por pena mais branda no caso de Débora, presa por escrever com batom na estátua em frente ao Supremo.
Nikolas Ferreira criticou diretamente Hugo Motta, cobrando a votação do projeto de anistia. “Deputado Hugo Motta, você foi eleito com nossos votos. Paute a anistia por honra, por dignidade”, declarou. Caroline De Toni (PL-SC) defendeu uma anistia “geral e irrestrita” e lembrou a votação, no mesmo dia, do pedido de suspensão da ação penal contra Alexandre Ramagem, o que também pode beneficiar Bolsonaro.
Emocionado, Gustavo Gayer destacou o apoio ao ex-presidente e o compromisso de retornar às ruas sempre que convocado. “Temos um desafio: a anistia dos presos do 8 de janeiro, que não tiveram ampla defesa. Isso não é pauta de direita ou esquerda, é de humanidade”, reforçou o senador Eduardo Girão.
O ato reuniu caravanas de ao menos nove estados, além de familiares de presos e influenciadores. Raquel, esposa de um condenado a 17 anos, afirmou: “Estamos lutando para que nossos familiares saiam dessa injustiça”.
Foi a primeira grande manifestação da direita na Esplanada dos Ministérios desde os atos de vandalismo de 2023. A segurança foi reforçada com atuação da Polícia Militar, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e monitoramento pelo STF. Não houve registros de conflitos.
Pressão por votação cresce na Câmara
A oposição já reuniu 262 assinaturas – cinco a mais do necessário – para pedir a votação em regime de urgência do projeto de anistia. No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, resiste a pautar o texto. Apesar de ter acenado positivamente à proposta no início do ano, Motta tem afirmado que a medida não é prioridade.
A postura do parlamentar tem provocado desgaste entre os oposicionistas, que iniciaram uma obstrução nas votações como forma de pressioná-lo. Ainda assim, a resistência se mantém, em meio à pressão de ministros do Supremo e do Palácio do Planalto, ambos contrários à medida.

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