
Foto: Renan Olaz / CMRJ / Arquivo
O indiciamento do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) pela Polícia Federal ampliou as preocupações entre lideranças da direita sobre o que classificam como uma possível ofensiva judicial contra pré-candidatos conservadores ao Senado nas eleições de 2026. Outros nomes alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, também têm suas pré-candidaturas sob pressão diante de investigações em curso e eventuais desdobramentos jurídicos.
Nos bastidores, integrantes da oposição veem com apreensão o avanço simultâneo de processos envolvendo figuras estratégicas para a disputa no Senado. Embora não haja provas de que as ações judiciais tenham motivações eleitorais, cresce a leitura entre parlamentares da direita de que tais medidas poderiam enfraquecer um dos principais planos do grupo para 2026: conquistar maioria na Casa e avançar com pautas de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF), como pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Carlos Bolsonaro foi indiciado nesta terça-feira (17) no âmbito das investigações sobre o caso conhecido como “Abin paralela”. Segundo fontes próximas ao inquérito, teriam sido encontradas evidências de uso indevido da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência para monitoramento ilegal de adversários políticos.
A movimentação judicial ocorre justamente no momento em que o vereador vinha sendo ventilado como possível candidato ao Senado por Santa Catarina. Situação semelhante envolve Gilson Machado, ex-ministro do Turismo, que chegou a ser preso na última sexta-feira (13), acusado de tentar facilitar a obtenção de passaporte português para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Ele foi solto horas depois, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, mas o episódio lançou incertezas sobre sua viabilidade eleitoral em Pernambuco.
Já Eduardo Bolsonaro, cotado para disputar o Senado por São Paulo, também está na mira do STF. Ele é investigado por suposta atuação nos Estados Unidos para influenciar contra instituições brasileiras, especialmente o Judiciário. Desde março, Eduardo se licenciou do mandato de deputado federal e passou a residir nos EUA, onde tem mantido proximidade com círculos ligados ao ex-presidente Donald Trump.
Esses casos vêm alimentando a narrativa de setores da oposição de que há um ambiente de perseguição política em curso. Ainda que não haja confirmação oficial de qualquer interferência do STF nas eleições de 2026, os episódios têm servido como combustível para tensões crescentes entre os Poderes.

Comentários
Envie seu comentário