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Crimes com Pix disparam: golpes crescem 70% e causam prejuízo de R$ 4,9 bilhões em 2024

2025-04-22 05:48:58
Diario do cerrado: Crimes com Pix disparam: golpes crescem 70% e causam prejuízo de R$ 4,9 bilhões em 2024

Foto: Diego Thomazini/ Shutterstock

As fraudes envolvendo o sistema Pix causaram perdas de R$ 4,941 bilhões em 2024, de acordo com dados obtidos pelo Broadcast através da Lei de Acesso à Informação (LAI). Esse valor representa um aumento alarmante de 70% em comparação com 2023, quando os prejuízos com golpes no sistema de pagamentos somaram R$ 2,911 bilhões.

As informações divulgadas se referem às devoluções de valores solicitadas por usuários e instituições participantes do Pix após a confirmação de fraudes, mas que não puderam ser retornados. Os motivos para a não devolução incluem o encerramento de contas dos recebedores ou a falta de saldo nas contas fraudulentas. Em 2024, 3,452 milhões de solicitações de devolução foram rejeitadas por essas razões.

Aumento das notificações de fraudes

O número de notificações de fraudes no Pix tem subido consideravelmente. Em 2024, o volume de notificações ultrapassou a média de 390 mil por mês, uma alta significativa em relação a 2023, quando eram registradas 216.046 notificações mensais. Somente em janeiro de 2024, foram analisadas e consideradas procedentes pelas instituições financeiras 324.752 notificações de fraudes.

Como as fraudes no Pix ocorrem?

O manual operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) define fraudes como transações iniciadas ou autorizadas sem o conhecimento do pagador, ou aquelas realizadas por um terceiro sem o reconhecimento do usuário. Além disso, fraudes também ocorrem quando o usuário é coagido ou extorquido para autorizar o pagamento.

Apesar do grande volume de fraudes, o impacto do golpe ainda é relativamente pequeno em comparação ao total de transações realizadas no sistema Pix. Em 2024, o Pix movimentou R$ 26,403 trilhões, e as perdas com fraudes representam apenas 0,019% do total.

Contas de passagem: um problema crescente

A grande maioria das fraudes ocorre com contas de passagem, conhecidas como contas-laranja, onde os fraudadores transferem os valores para contas de terceiros antes de desaparecem com o dinheiro. Esses intermediários frequentemente são usuários que alugam suas contas para criminosos, muitas vezes por meio de grupos em aplicativos de mensagens ou redes sociais. Os criminosos oferecem até R$ 10.000 em troca do “empréstimo” dessas contas.

Victor Thomazetti, superintendente de Segurança Corporativa do Itaú Unibanco, afirmou que a maioria dos usuários que cedem suas contas o fazem de forma consciente, sabendo do envolvimento com fraudes. “O aluguel de contas para golpes é uma realidade crescente. A grande maioria dos envolvidos está ciente de que está ajudando no crime”, disse Thomazetti, destacando que o problema é um dos maiores desafios de segurança na atualidade.

Reações do setor financeiro e ações contra fraudes

Após a fiscalização realizada pelo Banco Central em 2022, as instituições financeiras estão se empenhando para reduzir as brechas de segurança, com uma fiscalização mais rígida das aberturas de contas digitais. O Itaú, por exemplo, fecha imediatamente as contas identificadas como de passagem. O setor financeiro defende que usuários envolvidos em fraudes sejam banidos do sistema bancário por até cinco anos.

Fraudadores e tipos de contas usadas

Em 2024, 459.578 fraudes (cerca de 38% do total) foram realizadas com “scammer accounts”, ou seja, contas abertas em nome dos próprios fraudadores. Outras 328.945 fraudes (27%) envolveram “mule accounts”, ou contas-laranja, que são utilizadas para esconder o destino do dinheiro. Apenas 1% das fraudes foram relacionadas à falsificação de identidade na abertura de contas.

O total de fraudes registradas ainda pode ser maior, já que as instituições financeiras não divulgaram todos os detalhesdas investigações. As marcações de fraude têm como objetivo identificar os criminosos no sistema DICT, mas muitos desses processos são mantidos em sigilo para proteção das investigações.

A medida urgente contra as fraudes no Pix

O aumento das fraudes no Pix exige uma resposta urgente das autoridades, com medidas mais eficazes de prevenção e punição. A vulnerabilidade do sistema de pagamentos e a facilidade com que criminosos exploram brechas no uso das contas-laranja são uma realidade crescente, comprometendo não apenas a segurança dos usuários, mas também a confiança no sistema financeiro como um todo.

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