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Com inflação persistente e desconfiança fiscal, Copom mantém Selic em 15%; mercado já esperava paralisia diante da política econômica do governo

2025-07-31 05:42:13
Diario do cerrado: Com inflação persistente e desconfiança fiscal, Copom mantém Selic em 15%; mercado já esperava paralisia diante da política econômica do governo

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Em mais um sinal de cautela diante da instabilidade fiscal promovida pelo governo Lula, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15%. A decisão, tomada nesta quarta-feira (30), era amplamente esperada pelo mercado financeiro, que já previa dificuldade de flexibilização monetária no atual ambiente político-econômico.

A expectativa é de que a Selic permaneça nesse patamar elevado até o fim de 2025, o que representa o maior nível da taxa em quase duas décadas — reflexo direto de um governo que, segundo analistas, transmite pouca confiança ao investidor e ao empresariado.

Em comunicado oficial, os nove integrantes do Copom destacaram que “o ambiente externo está mais adverso e incerto”, citando a política fiscal dos Estados Unidos, as tensões geopolíticas e a consequente volatilidade nos mercados. No entanto, observadores atentos ao cenário nacional apontam que a instabilidade fiscal interna e o aumento de gastos públicos sem contrapartidas concretas também pesam sobre a decisão.

Além disso, o comitê mencionou a desaceleração do IPCA para 0,24% em junho, com alta acumulada de 5,35% em 12 meses, e o forte aquecimento do mercado de trabalho como fatores que exigem prudência. O histórico recente mostra que, desde setembro do ano passado, o Copom adotou sucessivos aumentos na taxa para tentar conter os efeitos inflacionários causados, em parte, por sinais contraditórios da política econômica federal.

Fed mantém juros estáveis e reforça contraste com política brasileira

No mesmo dia, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve pela quinta vez consecutiva sua taxa de juros inalterada — sinal de estabilidade e controle fiscal em meio a um cenário global delicado. A decisão foi tomada apesar da resistência de dois de seus governadores, o que reforça o compromisso da autoridade monetária americana com a previsibilidade.

Setores produtivos criticam governo e alertam para sufocamento da economia

A decisão de manter os juros altos foi recebida com indignação por setores produtivos, que se sentem asfixiados pelas taxas elevadas e pela falta de sinalização do governo quanto ao controle dos gastos públicos.

“O alívio monetário mais uma vez foi adiado. A Selic em 15% fragiliza a confiança do empresário e do consumidor”, afirmou Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH).

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também expressou preocupação. Em nota, a entidade reconheceu a importância de conter a inflação, mas alertou que manter a taxa nesse nível elevado “agrava os desafios da indústria”, ainda mais diante da insegurança fiscal interna e de conflitos externos, como o recente impasse com os EUA após o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros.

Expectativa é de manutenção, mas alerta permanece

Para Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital, a sinalização do Copom é clara: o ciclo de cortes está suspenso por tempo indeterminado, mas poderá ser retomado se o governo federal der sinais concretos de responsabilidade fiscal.

“O comitê destaca que há incerteza e que a política monetária precisa de cautela. Se o cenário continuar instável, é possível que os juros se mantenham nesse nível ou até subam novamente”, disse Bolzan.


O que é a taxa Selic?

A Selic é a taxa básica de juros do Brasil. Definida pelo Banco Central, ela influencia diretamente o custo de empréstimos, financiamentos, crédito ao consumidor e investimentos. Também é uma das principais ferramentas para conter a inflação, funcionando como um freio à economia quando o consumo pressiona os preços. Em tempos de irresponsabilidade fiscal e gastos descontrolados, como tem sido observado, manter a Selic elevada é a única forma de preservar a estabilidade da moeda e o poder de compra dos brasileiros.

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