
Foto: PMU/Divulgação
A partir da 0h deste sábado (26), a tarifa do transporte coletivo em Uberlândia terá um reajuste de 26,67% e passará a custar R$ 5,70 — um aumento considerável em relação aos R$ 4,50 praticados desde 2020. O novo valor foi anunciado nesta quarta-feira (23) e será oficializado por decreto publicado em edição suplementar do Diário Oficial do Município (DOM).
Segundo a Prefeitura, o reajuste teve como base uma análise técnica da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran), fundamentada em planilhas operacionais das concessionárias — um modelo que, na prática, transfere ao usuário o custo da ineficiência e da falta de competitividade no setor.
Como justificativa para o novo peso no orçamento do trabalhador, a gestão municipal anunciou uma série de “melhorias” no sistema, como instalação de câmeras de videomonitoramento, Wi-Fi gratuito, cinco novos ônibus articulados e a renovação parcial da frota (com promessa de ar-condicionado em alguns veículos até 2025). Medidas que, embora positivas no papel, são frequentemente anunciadas a cada reajuste, mas com cronogramas vagos e sem impacto imediato na qualidade do serviço prestado.
“Para continuarmos promovendo melhorias e garantindo mais conforto à população é fundamental mantermos o equilíbrio das contas da Prefeitura”, afirmou o secretário Paulo Romes Junqueira, apelando à compreensão da população diante do novo aumento, previsto contratualmente — o que, na prática, institucionaliza a alta anual da tarifa, independente da percepção de melhoria por parte dos usuários.
Entre as novidades prometidas está o programa de Integração Temporal, previsto para agosto, que permitirá ao usuário realizar múltiplas viagens, dentro de um período de 60 minutos, pagando apenas uma tarifa. A proposta inclui quatro novos pontos de conexão espalhados pela cidade e período de testes nas linhas envolvidas.
Também será criada uma nova linha para ligar o Terminal Canaã à região sul da cidade (Uberlândia Shopping/Unitri/UMC), além da ampliação do tempo de tolerância para acesso às áreas comerciais dos terminais — que passará a ser de 30 minutos em todos os pontos de embarque.
Em um momento de aperto no orçamento familiar, o aumento da tarifa reforça o peso que a manutenção do transporte público, nos moldes atuais, impõe à população. Sem abertura real à concorrência, revisão de contratos ou estímulo a soluções alternativas de mobilidade, a conta continua chegando para o contribuinte.
Enquanto isso, o discurso de modernização segue sendo usado como escudo para aumentos expressivos, mesmo quando a qualidade percebida pelo usuário segue aquém do desejado.

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