
Foto: Ricardo Stuckert/PR
No documentário Apocalipse nos Trópicos, que estreou nos cinemas brasileiros na última quinta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relembra, em uma entrevista gravada ainda em 2022, a dificuldade enfrentada para conquistar o voto do eleitorado evangélico durante as eleições. A gravação ganha um tom inesperado quando a primeira-dama, Janja da Silva, interrompe a fala do petista com uma declaração controversa.
Ao comentar a forte atuação de Jair Bolsonaro junto às igrejas, Lula reconheceu que “ninguém trabalhou como ele” para conquistar esse público. Em seguida, mencionou que líderes religiosos influenciaram fiéis a votarem em seu adversário. Foi nesse momento que Janja interveio, associando igrejas a episódios de violência. A primeira-dama afirmou que havia casos de pessoas “dando tiro” dentro dos templos, sugerindo, assim, uma relação direta entre a liderança evangélica e ações violentas.
A fala foi exibida no documentário dirigido por Petra Costa, que tem gerado reações por parte de lideranças religiosas e políticos contrários ao governo.
Papel crescente e controverso de Janja no governo Lula
Desde o início do atual mandato, Janja assumiu um protagonismo incomum para uma primeira-dama. Sem experiência anterior em cargos públicos, ela passou a coordenar eventos oficiais, criticar abertamente adversários políticos, ter acesso direto ao terceiro andar do Palácio do Planalto e contar com equipe própria custeada por recursos públicos. A atuação ativa tem causado desconforto entre ministros e aliados do próprio presidente, tornando-se assunto frequente nos bastidores de Brasília.
Nos últimos meses, Janja esteve no centro de diversas polêmicas. Uma delas envolveu o uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para deslocamento de Brasília a São Paulo, com objetivo de realizar uma consulta particular com ginecologista. O voo contou ainda com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Mais recentemente, enquanto o Rio de Janeiro sediava a reunião da Cúpula do Brics, Janja foi vista em um shopping de alto padrão no Leblon, reforçando críticas sobre seu estilo e prioridades enquanto primeira-dama.

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