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Estrutura criminosa resistiu a sucessivos golpes: família investigada continuou no tráfico após apreensão de 2 toneladas de droga

2026-06-05 14:49:02
Diario do cerrado: Estrutura criminosa resistiu a sucessivos golpes: família investigada continuou no tráfico após apreensão de 2 toneladas de droga

Foto: PF/Divulgação

Uma família investigada por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro teria mantido suas atividades criminosas mesmo após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de cocaína realizadas pelas forças de segurança. A conclusão é da Polícia Federal, que deflagrou a Operação Mens Occulta para desarticular a organização suspeita de movimentar toneladas de entorpecentes e milhões de reais em patrimônio oculto.

Segundo a PF, mais de duas toneladas de cocaína foram apreendidas em nove operações distintas ligadas ao grupo investigado entre 2024 e 2025. Ainda assim, os investigadores afirmam que o volume interceptado representa apenas uma pequena parcela da droga efetivamente movimentada pela organização.

No centro das investigações está Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", apontado pela polícia como líder da estrutura criminosa. Também são investigados familiares próximos, incluindo esposa, filhas e um ex-genro, suspeitos de integrar o núcleo responsável pela logística, movimentação financeira e ocultação patrimonial do esquema.

Tráfico tratado como atividade empresarial

De acordo com a Polícia Federal, a organização operava com estrutura profissionalizada e tratava as apreensões como parte do risco da atividade criminosa. Os investigadores afirmam que os líderes já contabilizavam possíveis perdas causadas pelas ações policiais sem interromper o fluxo do tráfico.

Um dos exemplos apontados pela investigação ocorreu em janeiro de 2025. Dois motoristas ligados ao grupo realizaram diversas viagens consideradas suspeitas. Em apenas uma delas houve apreensão da carga, indicando que outras remessas teriam chegado ao destino sem serem interceptadas.

Nove apreensões e mais de duas toneladas de cocaína

As investigações relacionam o grupo a uma sequência de grandes apreensões realizadas em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rondônia e outras regiões estratégicas do tráfico nacional.

Entre os casos mais relevantes estão:

• 312 quilos de cocaína apreendidos em setembro de 2024 durante transporte entre Rondônia e Uberlândia.

• 125 quilos de cocaína encontrados escondidos em pneus de caminhão em Jaraguari (MS).

• 126 quilos de pasta base de cocaína apreendidos em Água Clara (MS).

• 425 quilos de cocaína localizados em compartimento secreto de caminhão em Itapagipe (MG).

• 423 quilos de cocaína apreendidos em Campo Grande (MS).

• 368 quilos de cocaína e pasta base interceptados pela PRF durante a fase final da operação.

Segundo a PF, diversos caminhões utilizados no transporte estavam registrados em nome de terceiros ou empresas sem capacidade financeira compatível, o que reforça a suspeita de utilização de laranjas e empresas de fachada.

R$ 70 milhões sob investigação

Além do tráfico internacional de drogas, a Polícia Federal investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões nos últimos cinco anos.

Durante a operação foram apreendidos veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome de luxo avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão e um cavalo de competição avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.

Segundo os investigadores, o patrimônio identificado seria incompatível com a renda oficialmente declarada pelos investigados.

Prisões e suspeita de fuga

Mario Sergio Nunes e sua filha Brenda foram presos em um hotel em Uberaba durante o cumprimento dos mandados judiciais.

De acordo com o delegado Felipe Martins Perez Garcia, Brenda exerceria papel estratégico dentro da organização criminosa e atuaria diretamente na administração das operações do grupo.

As investigações apontam que a cocaína era trazida do Paraguai para o Brasil por meio do Mato Grosso do Sul, transportada em caminhões até Uberlândia e posteriormente distribuída para diversas regiões do país.

A defesa da família Nunes informou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo, que tramita sob sigilo, e afirmou confiar no trabalho das instituições, ressaltando que os investigados permanecem à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

A Polícia Federal segue aprofundando as investigações para identificar todos os envolvidos, rastrear o patrimônio suspeito e esclarecer a extensão da atuação da organização criminosa.

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